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Diálogos entre a sabedoria religiosa e a literatura

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Por Laura Rossetti (*)

O Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira) recebeu o poeta Allan Dias Castro e a Monja Coen, em uma transmissão ao vivo pelo YouTube, mediada pela atriz e escritora Bruna Lombardi e pelo jornalista Afonso Borges. Durante o bate-papo, que teve início às 21h, eles conversaram sobre o livro “A Monja e o Poeta” (Ed. Sextante), publicado em setembro de 2021, sobre a arte de se fazer poesia e sobre os ensinamentos do Zen Budismo.

Monja Coen explica que conheceu Allan Dia quando estava em um retiro de Zen Yoga, no Rio de Janeiro. Lá, o poeta declamou uma de suas poesias e, quando foram conversar, sugeriu à Monja que escrevessem um livro juntos. “Eu disse: “Não precisa perguntar duas vezes’”, brinca Coen. Assim nasceu “A Monja e o Poeta”, que une textos de Monja Coen a poemas de Allan Dias sobre os mais diversos temas – como o amor, perdão, medo e felicidade -, criando um sensível diálogo entre a sabedoria religiosa e a poesia.

“É bem interessante porque ele escreve a poesia e explica porque a escreveu. É uma coisa que muitos artistas não gostam de fazer. Eu achei isso muito importante, porque ele revela de onde está vindo esta inspiração, o que está acontecendo em sua vida naquele momento e que se manifestou em forma de poesia”, comenta Monja Coen sobre os textos de Allan. Segundo o poeta, enquanto ele escrevia o livro, buscava se expressar com a simplicidade e leveza que são características de Coen. “Os meus poemas conversaram com o discurso da monja, nós tivemos muitos pontos de encontro”, afirma.

A autora afirma que desde criança teve contato com a literatura e, principalmente, com a poesia. “Minha mãe era declamadora e poetisa. Eu ficava ao seu lado enquanto ela dava aula de declamação. Com seis anos ela me ensinou duas poesias, que eu decorei sem saber ler”, conta a Monja. Na escola, ela descobriu a paixão pela escrita e acabou trabalhando como jornalista no Jornal da Tarde. Depois de conhecer o Zen sua vida se transformou. “As coisas foram acontecendo. Eu não planejei que ia ser monja”, diz.

Também Allan teve contato com a literatura através de sua família, principalmente por causa da música, uma paixão de seu pai. “A música brasileira é muito rica de poetas, então a poesia chegou até mim através das composições e, depois de me mudar pro Rio de Janeiro, eu encontrei minha voz nos saraus de poesia”, afirma.

Durante a live, Allan declamou alguns de seus poemas, como o “Papo de Monge”, que começa assim: “Você não consegue perdoar alguém/ Porque ele não se arrependeu/ Eu espero que você não se arrependa pelo tempo que perdeu/ Porque se for parar para pensar são coisas diferentes/ A culpa pode estar no outro, mas o perdão está sempre na gente”.

Acesse a gravação completa da conversa, que contou com tradução simultânea em Libras, no YouTube do Flitabira.

*Estagiária sob a supervisão da jornalista Jozane Faleiro

 

Frases

“Esse livro teve um papel muito importante de me manter em movimento (…) e, através dessa troca com a Monja, focar na continuidade” – Allan Dias Castro

“Eu enxergo na poesia essa possibilidade de levar uma palavra, de trazer para perto aquela pessoa que às vezes não se encaixa e se encontra ali na poesia” – Allan Dias Castro

“Quando a gente abre as mãos o universo inteiro cabe nelas. Com uma coisa só que eu seguro, eu me limito, mas quando eu me abro me entrego e tudo é possível” – Monja Coen

“Se não há procura, não há encontro” – Monja Coen

“Cada desencantamento nos coloca mais próximos da verdade” – Monja Coen

“Meu pai me ensinou que, por mais parecidos que sejam os caminhos, cada um tem que seguir o seu”.

“Eu escrevo o que eu sinto e falo o que eu escrevo, então acabo tendo uma liberdade muito grande” – Allan Dias Castro