
Entre o passado que retorna e o futuro que ameaça, autores vão discutir o poder criador da literatura diante do impossível
“Futuridade, ancestralidade e a irracionalidade da imaginação”: esse é o tema que vai nortear o bate-papo entre os escritores Bianca Santana, Jeferson Tenório e Sérgio Abranches, dentro da programação do 5.º Flitabira. Eles conversam sob a mediação de Afonso Borges, presidente do festival, no dia 30/10, quinta-feira, às 17h, no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA).
Em tempos de colapso político, ambiental e simbólico, a literatura emerge como um território de travessia — um lugar em que passado e futuro se entrecruzam, e onde o ato de imaginar torna-se um gesto de resistência. Nesta mesa, três autores que transitam entre a razão crítica e a vertigem poética investigam o papel da imaginação literária na construção de novos mundos possíveis — ou na revelação dos abismos do nosso tempo.
Sérgio Abranches, em seu novo romance de ficção científica “A franja do fim do mundo” (Editora Faria e Silva), projeta um cenário distópico em que o planeta já ultrapassou o ponto de retorno. Ao extrapolar as consequências da crise climática, ele desloca o olhar da análise sociopolítica para o terreno da fábula e da especulação. Sua “irracionalidade da imaginação” transforma o colapso em metáfora da própria incapacidade humana de se reconciliar com o planeta e com os limites do progresso.
Jeferson Tenório, em “De onde eles vêm” (Companhia das Letras), investiga o pertencimento racial e o impacto das políticas de cotas, mas vai além do realismo social. O autor constrói uma narrativa em que o passado colonial irrompe no presente por meio da linguagem, da memória e dos corpos. Sua escrita reata o fio rompido da ancestralidade — e revela que imaginar o futuro é também reescrever o que fomos obrigados a esquecer.
Bianca Santana, entre “Apolinária” (Fósforo Editora) e “Quem limpa?” (Companhia das Letrinhas), articula a memória das mulheres negras como eixo de reconstrução coletiva. A ancestralidade aqui não é apenas herança: é uma forma de pensamento que contesta a racionalidade patriarcal e colonial. Ao reivindicar a emoção, o afeto e o corpo como fontes de conhecimento, Bianca transforma o ato de imaginar em prática política e pedagógica — uma ferramenta de libertação.
Reunidos, esses três autores delineiam uma cartografia das encruzilhadas contemporâneas: entre a tecnologia e o mito, a catástrofe e o sonho, a razão e o delírio criador. A “irracionalidade da imaginação” é, afinal, o que permite à literatura vislumbrar futuros que ainda não existem — mas que talvez comecem a nascer pela palavra.
Sobre o 5.º Flitabira
O 5.º Festival Literário Internacional de Itabira é patrocinado pela Vale, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e tem apoio da Prefeitura de Itabira. Com uma programação extensa, para todos os públicos e idades, o 5.º Flitabira promove debates literários, lançamentos de livros, contação de histórias para crianças, prêmio de redação e desenho, apresentações musicais e teatrais e oficinas, tudo ao redor de uma imensa e linda livraria. Criou também o “Flitabira da Gente”, dedicado aos empreendedores locais.
Serviço
5.º Festival Literário Internacional de Itabira – Flitabira
De 29 de outubro a 2 de novembro, quarta-feira a domingo
Entrada gratuita
Local: Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e avenida lateral.
Toda a programação é transmitda on-line pelo Youtube @flitabira
Informações para a imprensa
imprensa@flitabira.com.br
Jozane Faleiro – 31 99204-6367
Laura Rossetti – 31 99277-3238
Letícia Finamore – 31 98252-2002