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Amor aos livros

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Por Laura Rossetti (*)

O Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira) e o Sempre Um Papo Itabira deram sequência às atividades de 2021, na segunda-feira, dia 12 de julho, às 19h, com uma transmissão ao vivo pelas redes sociais do Sempre Um Papo. O convidado para a conversa sobre o amor à literatura foi o ator, diretor, produtor, roteirista e dublador Antonio Fagundes.

A transmissão do bate-papo, mediado pelo jornalista Afonso Borges, foi realizada diretamente da livraria Clube da Leitura, em Itabira, com o intuito de incentivar as pessoas a frequentarem e valorizarem as livrarias físicas. Esta live fez parte da programação do 47° Festival de Inverno de Itabira, que, anualmente, busca levar cultura e arte à população da cidade.

Além de ator com grande experiência em séries e telenovelas, Antonio iniciou recentemente sua trajetória como escritor, publicando, em novembro de 2020, seu primeiro livro, “Tem Um Livro Aqui Que Você Vai Gostar” (Sextante). Nele, Fagundes versa sobre suas leituras: quais foram as obras que mais o marcaram, suas impressões sobre livros dos mais diversos gêneros e seus autores preferidos.

O ator, que é apaixonado pela literatura e se autodenomina “rato de livraria”, acredita que é difícil estimular as pessoas a lerem, já que, para os iniciantes, é preciso bastante dedicação. “Você tem que aprender a ler de uma forma que seja corrente, que seja gostosa e fluente e, para fazer isso, você tem que se dedicar, entender a sintaxe, a pontuação, você tem que ter um vocabulário grande”, afirma.

Apesar disso, Fagundes também pensa ser necessário desmistificar a leitura, para que as pessoas não se sintam intimidadas pelos livros: “Não é uma coisa tão elaborada; mas exige um certo esforço, uma certa vontade política. (…) Se você realmente quiser ler, você vai enfrentar uma pequena dificuldade no começo, mas depois o mundo vai se abrir para você de uma forma tão mágica, revolucionária, carinhosa e com tantas possibilidades de vida, que você jamais vai se arrepender”.

Para Antonio, os baixos índices de leitura no Brasil podem ser explicados, principalmente, pelo fato de não haver no país um sistema educacional forte. Ele exemplifica essa falta de estímulo dentro do ambiente acadêmico com sua própria experiência de iniciação à leitura, que foi, segundo ele, pura sorte. “Eu tive uma doença com seis ou sete anos chamada mononucleose, cuja cura é repouso absoluto e superalimentação (…) Minha mãe me trouxe um ‘bolo’ de gibis para ver se eu conseguia fazer o tempo passar (mais rápido)”. Foi nessa situação adversa, através das histórias em quadrinhos, que ele passou a se interessar pela literatura.

Para quem não possui o hábito de ler e não sabe por onde começar, Fagundes dá uma valiosa dica. “Algumas pessoas tem um pouco de dificuldade de saber se vão gostar do livro. Procure um livro com uma história que você já tinha visto no cinema ou na televisão”, diz o ator, explicando que, dessa forma, mesmo uma pessoa iniciante já começa a leitura de forma leve e relaxada, porque sabe que vai entender a narrativa.

Durante a live, foi realizado um sorteio de cinco exemplares do livro de Fagundes a residentes de Itabira que respondessem corretamente a perguntas sobre literatura. Além disso, foram exibidos dois vídeos da inauguração, pelo Flitabira, da exposição “Ocupação Dom Quixote – Portinari e Drummond”, na Praça do Areão, em Itabira. A mostra, gratuita e aberta ao público, acontece de 10 de julho até 10 de setembro de 2021.

A transmissão se encerrou com a atriz Alexandra Martins, esposa de Antonio Fagundes, declamando o poema “A mão”, que Carlos Drummond de Andrade escreveu em homenagem ao pintor Cândido Portinari, depois de sua morte, em 1962. Acesse a gravação completa da conversa, que contou com tradução simultânea em Libras, no Instagram, Facebook e YouTube do Sempre Um Papo.

*Estagiária sob a supervisão da jornalista Jozane Faleiro

 

Frases

“Leia qualquer coisa, qualquer gênero de qualquer espécie, que você vai abrir seu mundo de uma forma fantástica”. – Antonio Fagundes

“Eu sempre entendi os autores de ficção científica como filósofos”. – Antonio Fagundes

“A livraria, para mim, tem estes dois polos: a medida da minha ignorância, a sapiência de que eu jamais vou alcançar aquele conhecimento todo; mas, ao mesmo tempo, as possibilidades que eu tenho abertas”. – Antonio Fagundes

“O teatro é o cadáver mais antigo da história universal. Estão sempre querendo enterrá-lo, mas ele não morre”. – Antonio Fagundes