Por Letícia Finamore

Dando início à programação regional do 5.º Flitabira, Solange Alvarenga, Otávia Senhorinha e Joaquim Olegário se reuniram às 11h no Auditório da Biblioteca da FCCDA. O encontro teve como tema “‘Rosa do Povo’, literatura como decisão: um caminho sem volta”. A ideia é uma referência ao livro mencionado, que completa 80 anos de lançamento em 2025 e norteia o tema da 5.ª edição do Festival: “Literatura, Encruzilhada e ‘A Rosa do Povo'”.

Outra data importante celebrada em 2025 é o centenário de graduação de Carlos Drummond de Andrade em Farmácia, pela Universidade Federal de Minas Gerais. Diante desse marco, Otávia afirmou que seu título de farmacêutico o acompanhou e ainda foi além: o também escritor levou a farmácia pros poemas dele. Ainda complementa: essa área de sua vida pode ser vista em sua literatura. Isso porque Drummond não foi um poeta, um contista, um farmacêutico: ele foi questionador, fonte de registros históricos. Em sua posição como poeta, Drummond questionava: “por que a poesia serve?”.

Joaquim Olegário ficou com a responsabilidade de mediar a conversa, e suas perguntas instigavam pensamentos acerca do futuro. O palestrante apresenta formas de pensar os anos que se aproximam a partir da poesia Drummondiana. As participantes respondiam Joaquim com argumentos, sempre seguidos de declamações de poemas de CDA.

A hora foi um momento em que Solange Alvarenga declamou e comentou pensamentos, críticas, opiniões e sentimentos que Carlos Drummond de Andrade colocou em seus versos. Indo além, com um tom professoral, dirigiu-se aos estudantes da escola São Sebastião do Rio Preto. Seu discurso foi pautado na necessidade de ler poesia, explicando que esse tipo de leitura auxilia a “sobreviver” em um mundo de injustiças. 

Em momentos de ebulição política como a Era Vargas, a 2.ª Guerra Mundial e o Estado Novo, a poética de Drummond toma um novo rumo. Otávia aponta que o autor estava subordinado ao contexto de miséria no mundo, e isso acaba por se tornar um manifesto de sua indignação. Para complementar a fala de sua colega, Solange declamou o poema “A Flor e a Náusea”, do poeta itabirano.

Em uma de suas falas, Solange relembrou que, para entrar para a Academia Brasileira de Letras, era necessário submeter uma inscrição e Drummond nunca viu necessidade em se candidatar. O poeta sempre se mostrou preocupado com coisas sociais e discordava das situações que desenrolavam eu sua época. Por essa humildade perante seu trabalho que acontecem, afirma em seu poema: “sou apenas um funcionário público”.

Depois de 80 anos de “A Rosa do Povo”, Joaquim questionou: este livro deve ser considerado um espelho para o futuro?” Em sua resposta, Solange sugeriu a leitura do poema “A Morte do Leiteiro” para ilustrar sua opinião.

Sobre o 5.º Flitabira

O 5.º Festival Literário Internacional de Itabira é patrocinado pela Vale, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e tem apoio da Prefeitura de Itabira. Com uma programação extensa, para todos os públicos e idades, o 5.º Flitabira promove debates literários, lançamentos de livros, contação de histórias para crianças, prêmio de redação e desenho, apresentações musicais e teatrais e oficinas, tudo ao redor de uma imensa e linda livraria. Criou também o “Flitabira da Gente”, dedicado aos empreendedores locais.

Serviço

5.º Festival Literário Internacional de Itabira Flitabira

De 29 de outubro a 2 de novembro, quarta-feira a domingo

Entrada gratuita

Local: Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e avenida lateral.

Toda a programação é transmitda on-line pelo Youtube @flitabira

Informações para a imprensa

imprensa@flitabira.com.br

Jozane Faleiro – 31 99204-6367

Laura Rossetti – 31 99277-3238

Letícia Finamore – 31 98252-2002