Por Adalmo Magalhães

Em auditório lotado no Teatro FCDA, Tamara explorou temas como a solidão, as mudanças climáticas e os desafios que uma mulher enfrenta para abrir caminhos

Iniciando oficialmente a programação de mesas do 4.º Flitabira, Tom Farias e Sérgio Abranches entrevistaram a autora e velejadora paulistana Tamara Klink. Ela é a mais jovem brasileira a fazer a travessia do Oceano Atlântico em solitário e contou sua experiência não só na conversa desta quarta, mas também ao longo de seus três livros de relatos.

Tom iniciou a conversa afirmando que vivemos “aterrados em apartamentos, em casas” e questionou Tamara quanto à “aventura de viver na água”: “Como é a forma que você aproveita esse tempo no mar?” Ela respondeu que a ideia de navegar para ela vem do desejo e que, antes de conhecer a sua própria língua, seu pai já contava e descrevia o que era navegar. “Tudo que ele trazia eram as histórias.” Conectando essas narrativas à literatura, ela declarou: “Crescendo em São Paulo no meio de carros, eram os livros que me lembravam de que o mar existia e que era possível navegar. Esse também é um poder dos livros, de criar o desejo nas pessoas”.

Perguntada posteriormente sobre como lidava com a solidão, Klink afirmou que sempre escreveu diários e que, graças a isso, pôde escrever os seus livros: “Os diários são muito importantes pra mim para criar memórias”. Contudo, reconheceu que é “extremamente frustrante escrever o que a gente vive quando falta vocabulário” e que, para ela, “escrever é sempre um ato em que entro num jogo no qual sei que vou perder”.

Sérgio Abranches então abordou o tema das mudanças climáticas, e perguntou a Tamara se ela as viu acontecer. Ela declarou que essas mudanças estavam nas falas das pessoas que moravam na região do Ártico, e que “se tem alguma coisa que elas me ensinaram é que teremos de nos adaptar muito, renunciarmos a muitas coisas”.

Já caminhando para o fim da conversa, Tom pediu a Tamara que contasse mais sobre o seu planejamento para uma viagem dessa magnitude. Ela então descreveu o processo de se enganar, de arquitetar as coisas detalhadamente, “mas no fim é sempre mais complexo”. Ela associou essa etapa do trajeto a uma “chuva de projeções de medo”, tanto de pessoas de sua família quanto de desconhecidos. A navegadora disse então se apegar bastante a relatos de viagem já conhecidos, tais como Os Lusíadas, garantindo que eles a ajudam a não diminuir o teto das suas ambições.

Ao relacionar os receios alheios ao fato de ser uma mulher jovem, Tamara defendeu que “mesmo bem intencionados, são discursos que reforçam que a mulher deve ficar em casa, trancada na gaveta da cozinha”. “Existem esses discursos desencorajadores, que nos objetificam, que se acham no direito de nos diminuir.” Ela então afirmou que não são as mulheres que têm de ter vergonha do assédio, do abuso, e sim aqueles que os praticam. O bate-papo então se encerrou com a defesa de que não devem ser ouvidas as vozes “que vão limitando nossos prazeres, que nos barram do direito de também querer partir”.

Sobre o Instituto Cultural Vale

O Instituto Cultural Vale acredita que a cultura transforma vidas. Por isso, patrocina e fomenta projetos em parcerias que promovem conexões entre pessoas, iniciativas e territórios. Seu compromisso é contribuir com uma cultura cada vez mais acessível e plural, ao mesmo tempo em que atua para o fortalecimento da economia criativa. Desde a sua criação, em 2020, o Instituto Cultural Vale já esteve ao lado de mais de 800 projetos em 24 estados e no Distrito Federal, contemplando as cinco regiões do País. Dentre eles, uma rede de espaços culturais próprios, patrocinados via Lei Federal de Incentivo à Cultura, com programação gratuita, identidade e vocação únicas: Memorial Minas Gerais Vale (MG), Museu Vale (ES), Centro Cultural Vale Maranhão (MA) e Casa da Cultura de Canaã dos Carajás (PA). Onde tem Cultura, a Vale está. Visite o site do Instituto Cultural Vale: institutoculturalvale.org

Sobre o Flitabira

A 4.ª edição do Festival Literário Internacional de Itabira – Flitabira – acontece entre os dias 30 de outubro e 3 de novembro de 2024, quarta-feira a domingo, na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (Av. Carlos Drummond de Andrade, 666, Centro), com entrada gratuita.

Com o tema “Literatura, Amor e Ancestralidade”, o 4.º Flitabira tem o patrocínio do Instituto Cultural Vale, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com o apoio da Prefeitura de Itabira.

Serviço:

4.º Festival Literário Internacional de Itabira – Flitabira
De 30 de outubro a 3 de novembro, quarta-feira a domingo
Local: programação presencial na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (Av. Carlos Drummond de Andrade, 666, Centro) e programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @flitabira
Entrada gratuita

Informações para a imprensa:

imprensa@flitabira.com.br
Jozane Faleiro  – 31 99204-6367/ Letícia Finamore – 31 98252-2002