Quando a Amazônia é contada por quem vive nela, o que se enxerga da floresta muda. É esse deslocamento de olhar que a mesa “Amazônia Ancestral” propõe ao reunir, no 6º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira, Verenilde Pereira e Sony Ferseck, com mediação de Geni Núñez, no sábado, 31 de outubro, às 18h, no Teatro da FCCDA. A conversa une literatura, território e identidade. O festival acontece de 29 de outubro a 1º de novembro de 2026 e celebra os 75 anos de Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, sob o tema “A Máquina do Mundo em Nós”.

Com patrocínio master da Vale, via Lei Rouanet – Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Itabira, da FCCDA e do Itaú, o festival mantém toda a programação gratuita. As mesas são transmitidas ao vivo pelo YouTube (@flitabira), com Libras e audiodescrição. O Flitabira também compensa o carbono gerado pela estrutura e pelos deslocamentos do evento em parceria com o Instituto Terra, que financia o cultivo de espécies nativas para restauração florestal, e substituiu os copos descartáveis por opções biodegradáveis com certificação FSC.

Verenilde Pereira nasceu em 1956, no Amazonas, filha de mãe negra e de pai do povo Sateré-Mawé. Formada em Jornalismo pela Universidade do Amazonas, foi repórter especializada nas lutas dos povos indígenas nos principais jornais de Manaus e Belém e cobriu a entrada de garimpos na área Yanomami e no Alto Rio Negro. Militante de movimentos de resistência indígena, integrou o Porantim, primeiro jornal especializado na questão, e foi professora no Seringal Katipari, no rio Purus, para ribeirinhos, indígenas, caboclos e seringueiros. É doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília, com a tese “Violência e singularidade jornalística: ‘o massacre da Expedição Calleri'” (2013), e autora do livro de contos Não da Maneira como Aconteceu (Thesaurus, 2002).

Seu romance Um Rio sem Fim, publicado em 1998, ganha nova edição pela Alfaguara. Sob a perspectiva indígena, o livro acompanha duas meninas criadas numa missão religiosa e levadas para trabalhar em casas ricas de Manaus.

Sony Ferseck, ou Wei Paasi em makuxi, pertence ao povo Makuxi. Poeta, escritora, palestrante e pesquisadora, é doutora em Literatura pela Universidade Federal Fluminense, mestre em Literatura, Artes e Cultura Regional e graduada em Letras/Inglês pela Universidade Federal de Roraima, e hoje faz pós-doutorado em Literatura no projeto Inventário e Descrição do Patrimônio Arqueológico de Roraima, do Amazônia +10. Autora de Pouco Verbo (2013), Movejo (2020) e Weiyamî: mulheres que fazem sol (2022), obra semifinalista na categoria Poesia do 65º Prêmio Jabuti, é cofundadora, com Devair Fiorotti, da Wei, primeira editora independente de Roraima.

A mediação é de Geni Núñez, ativista indígena Guarani, escritora e psicóloga, doutora em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina e pós-doutora pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. É autora de Felizes por Enquanto e do livro infantil Takua e o Segredo das Constelações Guarani, escrito com Gennis Ara’i.

 

Serviço
6º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira

Tema: “A Máquina do Mundo em Nós – 75 anos de Claro Enigma”

Data: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026

Local: Teatro da FCCDA e entorno – Itabira (MG)

Mesa: “Amazônia Ancestral”, com Verenilde Pereira e Sony Ferseck; mediação de Geni Núñez

Quando: sábado, 31 de outubro, às 18h

Entrada: gratuita

Acessibilidade: Libras e audiodescrição

Transmissão: ao vivo pelo YouTube @flitabira

Patrocínio master: Vale, via Lei Rouanet – Ministério da Cultura

Apoio: Prefeitura de Itabira, FCCDA e Itaú