
Depois de conquistar o primeiro lugar em 2025, “Memórias do meu quilombo”, da matriarca quilombola de Itabira, alcança a terceira posição em 2026; Carla Akotirene fica em segundo, em edição recordista com mais de 3 mil livros vendidos
O 6º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira, realizado entre 29 de outubro e 1º de novembro de 2026, encerrou sua programação com um recorde histórico de vendas: mais de 3 mil livros comercializados em quatro dias. Entre os títulos de autores participantes, Formas de narrar um corpo, de Rita Von Hunty, conquistou o primeiro lugar, seguido por Amor Preto, de Carla Akotirene. Mas um dos resultados mais significativos do levantamento foi a permanência de Memórias do meu quilombo, de Dona Rosinha, entre os três primeiros colocados. Líder de vendas em 2025, a obra da matriarca quilombola de Itabira alcançou a terceira posição em 2026, demonstrando a força de uma história profundamente ligada à cidade e o interesse continuado dos leitores por sua trajetória.
A Vale apresenta a 6ª edição do Flitabira, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com o apoio da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e do Itaú. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, transmitidas online pelo YouTube e estão alinhadas com os princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) e dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas).
O resultado de Dona Rosinha ganha significado especial nesta edição. Falecida recentemente, ela foi uma das patronas homenageadas pelo Festival, ao lado de Dona Tita. Sua obra, que preserva experiências e histórias da comunidade quilombola, continua encontrando novos leitores. O desempenho comercial em dois anos consecutivos mostra que a valorização da memória local também se traduz em interesse pelos livros e pela produção cultural de Itabira.
Dona Rosinha: dois anos entre os mais vendidos
Em 2025, Memórias do meu quilombo liderou a lista de vendas do 5º Flitabira. Naquele ano, o reconhecimento demonstrou o interesse do público pela história de uma mulher cuja trajetória estava ligada à preservação da cultura negra e da memória comunitária.
Em 2026, a obra voltou a ocupar posição de destaque, mesmo diante de uma programação com escritores de grande projeção nacional e internacional. O terceiro lugar reforça a continuidade desse interesse e transforma o livro em um dos símbolos da relação do Flitabira com a própria cidade.
A homenagem prestada a Dona Rosinha durante o Festival, com a participação de familiares e representantes da comunidade, aproximou sua história de novos públicos. Sua presença no ranking demonstra que a memória de uma liderança local pode alcançar leitores ao lado de nomes consagrados da literatura brasileira.
Rita Von Hunty e Carla Akotirene lideram o ranking
O primeiro lugar ficou com Formas de narrar um corpo, de Rita Von Hunty, que participou de uma das mesas mais concorridas da programação. Em conversa com Calila das Mercês, Rita abordou as relações entre linguagem, colonialismo, desigualdade e poder, em um encontro encerrado com aplausos de pé.
Na segunda posição aparece Amor Preto, de Carla Akotirene. A escritora e pesquisadora baiana discutiu as relações afetivas entre pessoas negras e as marcas do racismo na vida íntima, em uma conversa mediada por Afonso Borges. A procura pelo livro refletiu o interesse do público pelas questões apresentadas na mesa.
A escritora moçambicana Énia Lipanga conquistou o quarto lugar com Sob a capulana do destino, enquanto Octavio Guedes aparece em quinto, com Heróis por acaso.
Mulheres e literatura negra em destaque
As mulheres ocupam oito das 15 posições do ranking. Entre os dez primeiros títulos estão também Olhos D’água, de Conceição Evaristo, em sexto lugar; Nódoa, de Calila das Mercês, em sétimo; e Descolonizando Afetos, de Geni Núñez, em oitavo.
Conceição foi uma das três personalidades homenageadas pelo Festival, ao lado de Leda Maria Martins e Maria Mazzarello. O encontro entre elas, dedicado à amizade e ao antirracismo, recuperou uma história de colaboração que ajudou a transformar a presença de autoras negras no mercado editorial brasileiro.
A lista também inclui A Terceira Margem do Ipiranga, de Sérgio Abranches, em nono lugar, e O que você pensa quando falo África?, de Lavínia Rocha, na décima posição.
Drummond, poesia e literatura para jovens
Paula Pimenta ficou em 11º lugar com A música da minha vida. A escritora participou do encerramento do Festival, atraindo leitores jovens para uma conversa sobre sua obra e seu processo criativo.
José Miguel Wisnik aparece na 12ª posição com Maquinação do mundo. Sua participação, ao lado de Kristoff Silva, foi um dos pontos altos da programação dedicada aos 75 anos de Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade.
Completam a relação Agora o meu Chão são Nuvens, de Hugo Monteiro Ferreira; No meu Tempo eu era Melhor, de Fabrício Carpinejar; e Desabilidades, de Roberto Parmeggiani.
Os 15 livros mais vendidos entre os autores presentes
- Formas de narrar um corpo — Rita Von Hunty
- Amor Preto — Carla Akotirene
- Memórias do meu quilombo — Dona Rosinha
- Sob a capulana do destino — Énia Lipanga
- Heróis por acaso — Octavio Guedes
- Olhos D’água — Conceição Evaristo
- Nódoa — Calila das Mercês
- Descolonizando Afetos — Geni Núñez
- A Terceira Margem do Ipiranga — Sérgio Abranches
- O que você pensa quando falo África? — Lavínia Rocha
- A música da minha vida — Paula Pimenta
- Maquinação do mundo — José Miguel Wisnik
- Agora o meu Chão são Nuvens — Hugo Monteiro Ferreira
- No meu Tempo eu era Melhor — Fabrício Carpinejar
- Desabilidades — Roberto Parmeggiani