Sessões reuniram estudantes no Teatro da FCCDA em apresentações interativas com música, teatro de sombras e nova versão de cantiga tradicional

A programação infantojuvenil da manhã do primeiro dia do Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira agitou o público no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026. A partir das 8h, a plateia, composta por crianças da comunidade escolar local, acompanhou o espetáculo “Jardim de Histórias e Brincadeiras”, conduzido por Rose Andrade e Quézia Juliana, com acompanhamento musical ao vivo de Carlos Alberto. Na sequência, às 9h, o palco recebeu a apresentação musical “Quase uma bandinha”, com ainda mais momentos de cantoria, ritmo e interação com as crianças.

A Vale apresenta a sexta edição do Flitabira, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com o apoio cultural da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e do Itaú. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, transmitidas online pelo Youtube e estão alinhadas com os princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) e da ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas).

O auditório da FCCDA esteve lotado durante as duas atividades, que teve envolvimento direto das crianças, que cantaram e dançaram tanto cantigas tradicionais quanto canções contemporâneas. A abertura com o “Jardim de Histórias e Brincadeiras” integrou narrativa oral, música instantânea e recursos visuais como o teatro de sombras, convidando os pequenos para participar do enredo sob a condução das contadoras Rose, atriz, narradora e mediadora de leitura, e Quézia, educadora dedicada às artes cênicas e à literatura infantil. Logo após, a apresentação “Quase uma bandinha” convidou a plateia a experimentar percussão corporal, coreografias e instrumentos para formar um grande grupo musical. Entre as intervenções, destacou-se a adaptação da cantiga “Samba Lelê”, cuja letra trocou o verso “era uma boa palmada” por “era uma boa risada”, trazendo uma releitura para se afastar de referências de violência contra a infância.

No Coreto, às 9h, foram as crianças que abriram espaço para a poesia. Oitenta e quatro estudantes da rede municipal de Itabira, vindos da Escola Municipal Nico Andrade e de escolas rurais do Carmo e de Ipoema, se revezaram na leitura dos poemas do livro do projeto “Palavras que Transformam”, lançado durante o sarau. Na cidade onde Carlos Drummond de Andrade nasceu, o poeta apareceu muitas vezes nos versos, agora como destinatário: boa parte dos poemas lidos era dedicada a ele. Quem não conseguiu acompanhar tem outra chance à tarde, quando o sarau volta ao Coreto, às 14h.

Poesia e deficiência, com Tiago Bretas e Lilian Campos 

Na programação regional, a distância entre o que a lei garante e o que a vida oferece foi o fio da mesa “Poesia e deficiência”, às 11h, no Teatro, com mediação de Luciana Mendonça. O advogado Tiago Bretas conhece o tema por dentro. Mestre em Direito e pesquisador do direito das pessoas transplantadas, Tiago não se esquivou de nomear os próprios privilégios: teve acesso a tratamento, saúde e lazer, algo distante da realidade da maioria das pessoas com deficiência no país. Desse lugar, propôs uma distinção que fez falta em muitos debates sobre inclusão. A igualdade formal está garantida no papel, e a Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, assegura às pessoas com deficiência as mesmas oportunidades que às demais. Porém, a igualdade material, a que se vive na prática, ainda tropeça no mercado de trabalho, na escola, nos serviços de saúde e no direito ao lazer.

Do lado de quem cuida veio a experiência de Lilian Campos, professora da Unifei em Itabira e mãe de João Pedro, que tem síndrome de Down. Ela endossou a reflexão de Tiago: reconhecer o próprio lugar é o primeiro passo para entender por que tantas famílias seguem sem acesso a médicos e direitos. Em seguida, deteve-se no que costuma acompanhar um laudo, as expectativas da família, as do mundo e aquelas que a própria mãe precisa rever. Criar uma criança com deficiência, defendeu, é um exercício contínuo de adaptar, construir e aprender a conviver com limites, sem fórmula pronta para uma situação tão subjetiva. Longe de minimizar as dificuldades, deixou ao público uma síntese da conversa: “um diagnóstico não é destino”.

A tarde do dia de estreia do 6.º Flitabira também conta com programação voltada para o público infantojuvenil. Às 14h, o grupo Espaço Cultural LuarAzul apresenta a peça teatral “Memórias de um abacateiro”. Logo em seguida, às 15h, a escritora e professora Lavínia Rocha apresenta uma espécie de aula, com o tema “O que você pensa quando falo África?”. Ambas as atividades acontecem no Teatro da FCCDA e têm entrada gratuita, assim como toda a programação do Flitabira.

Serviço

6.º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira

Tema: “A Máquina do Mundo em Nós – 75 anos de Claro Enigma”
Data: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026
Local: Teatro da FCCDA e entorno – Itabira (MG)
Programação: mesas literárias, palestras, encontros com escritores, lançamentos, Central de Autógrafos, Livraria do Flitabira, Flitabira da Gente, Flitabira nas Escolas, Prêmio de Redação e Desenho, exposição “Autorretratos de Drummond” e programação artística
Entrada: gratuita em todas as atividades
Acessibilidade: Libras e autodescrição
Transmissão: ao vivo pelo YouTube @‌flitabira
Patrocínio master: Vale, via Lei Rouanet – Ministério da Cultura
Apoio: Prefeitura de Itabira, Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e Itaú