Por Letícia Finamore

Em conversa com Rafael Nolli, a escritora falou sobre sua rotina de criação, a interação com o público e deu conselhos para escritores estreantes.

O encontro entre a escritora Paula Pimenta e o mediador Rafael Nolli, realizado durante a programação deste domingo, 1.º de novembro, no 6.º Flitabira, revelou os bastidores de um processo criativo que tem a sensibilidade como motor. Durante a conversa, a autora destacou que o envolvimento emocional é o principal termômetro de sua obra. Ela ressaltou que chora e ri junto com as narrativas que cria, citando como exemplo o terceiro volume de “Minha Vida Fora de Série”, momento em que acordou chorando após escrever a morte de um personagem. Para ela, se a história não provocar impacto nela mesma, dificilmente tocará o público.

A Vale apresenta a sexta edição do Flitabira, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com o apoio cultural da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e do Itaú. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, transmitidas online pelo Youtube e estão alinhadas com os princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) e da ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas).

A dinâmica com os leitores também pautou o diálogo, especialmente em relação à famosa “maldição do livro três”, um conceito criado por seus próprios fãs. A escritora explicou que a carga dramática elevada nos terceiros volumes de suas séries, como a separação de personagens centrais, acabou criando essa reputação, embora ela considere parte do desenvolvimento da trama até sua resolução, que culmina no quarto livro. Para manter a coerência em enredos tão longos, Paula detalhou que não inicia a escrita pelo fim, mas começa o trabalho sabendo exatamente como a história vai terminar. A autora confessou que, no momento de redigir o desfecho, o livro já está maduro, e que resta apenas a construção do caminho até o ponto final. Antes de iniciar o texto definitivo, Paula elabora um roteiro resumido de todos os acontecimentos, o que impede que se perca durante a narrativa.

Provocada a deixar conselhos para futuros escritores, Paula Pimenta foi direta ao estruturar suas recomendações, que foram salteadas em diversos momentos da conversa. A primeira dica é realizar a leitura em voz alta do próprio texto, uma vez que permite identificar repetições de palavras e quebras de ritmo que os olhos muitas vezes deixam passar no “silêncio” da leitura mental. A segunda dica foca na empatia com quem consome a obra: ela orienta que, se o autor estiver achando um capítulo monótono de escrever, o público certamente achará chato de ler, sendo necessário parar, voltar e recomeçar. Por fim, a autora destacou a urgência de consumir o que o público-alvo consome. Para escrever para adolescentes, por exemplo, é preciso estar atento às tendências atuais, desde os ídolos do K-pop, como o grupo BTS, até as linguagens contemporâneas, evitando entregar uma história engessada na juventude do próprio autor.

A relação com o ambiente digital foi outro ponto abordado por Rafael Nolli. Paula enxerga as redes sociais como um espaço de troca com seus leitores, o que estreita laços e a ajuda a entender as expectativas dos fãs. Ela relembrou interações em seu Instagram nas quais convocou os leitores para escalar atores ideais para seus personagens, uma dinâmica que engaja o público e retroalimenta seu entusiasmo criativo. Além disso, a escritora pontuou que insere suas próprias paixões nas páginas de seus livros – em seu livro mais recente, “A Música da Minha Vida”, Paula parte do universo musical para espelhar sentimentos. Com referências que vão de Guilherme Arantes a Taylor Swift, a música serve como uma extensão da personalidade de suas protagonistas, criando uma trilha sonora que guia a leitura e fortalece a conexão com sua audiência. Fortalecendo a troca no ao vivo, o encontro terminou com perguntas e respostas entre o público e Paula Pimenta, que recebeu o carinho de leitores que ressaltaram como o trabalho da escritora influenciou seus primeiros passos na leitura.

Veja a conversa na íntegra no YouTube do Flitabira:

Serviço

6.º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira

Tema: “A Máquina do Mundo em Nós – 75 anos de Claro Enigma”
Data: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026
Local: Teatro da FCCDA e entorno – Itabira (MG)
Programação: mesas literárias, palestras, encontros com escritores, lançamentos, Central de Autógrafos, Livraria do Flitabira, Flitabira da Gente, Flitabira nas Escolas, Prêmio de Redação e Desenho, exposição “Autorretratos de Drummond” e programação artística
Entrada: gratuita em todas as atividades
Acessibilidade: Libras e autodescrição
Transmissão: ao vivo pelo YouTube @‌flitabira
Patrocínio master: Vale, via Lei Rouanet – Ministério da Cultura
Apoio: Prefeitura de Itabira, Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e Itaú