
Por Letícia Finamore
Mesa com Maxsandro Soares e Delci Cristina promoveu uma grande aula sobre Claro Enigma e o poema “A Máquina do Mundo”.
A literatura de Carlos Drummond de Andrade foi ponto de partida para uma ampla reflexão sobre os sentidos da existência, o conhecimento e os mistérios que atravessam a experiência humana. Nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, o Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade recebeu mais uma atividade do Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira. Às 16h, Maxsandro Soares e Delci Cristina participaram da programação regional com o debate “A desilusão na Máquina do Mundo”, com mediação de Sandra Duarte. Integrando a programação da sexta edição do Festival, realizada de 29 de outubro a 1.º de novembro, o encontro promoveu uma análise generalizada da obra “Claro Enigma”, com atenção especial ao poema “A Máquina do Mundo” e às relações entre a poesia drummondiana e outras grandes obras da literatura.
A Vale apresenta a sexta edição do Flitabira, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com o apoio cultural da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e do Itaú. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, transmitidas online pelo Youtube e estão alinhadas com os princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) e da ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas).
A conversa partiu do próprio título “Claro Enigma”, explorando a dualidade entre aquilo que se revela e aquilo que permanece incompreensível na experiência humana. Maxsandro e Delci, percorrendo a obra de Drummond, fizeram uma leitura levando em consideração a trajetória do poeta, as transformações de sua escrita e os questionamentos que atravessam sua produção literária. Nesse percurso, o poema “A Máquina do Mundo” ganhou centralidade: nele, o eu-lírico se depara com a possibilidade de conhecer a totalidade do universo e compreender os mistérios da existência, mas escolhe recusar a revelação que lhe é oferecida – recusa transcender a condição humana.
A análise desse gesto abriu espaço para discutir o desencanto não apenas como desilusão diante das respostas que a vida pode oferecer, mas também como uma postura de questionamento das certezas. Afinal, o que acontece quando o conhecimento absoluto parece estar ao alcance, mas já não desperta interesse ou confiança? A partir dessa provocação, a mesa refletiu sobre a condição do sujeito diante do mundo, sobre os limites da compreensão humana e sobre a permanência do enigma mesmo quando se acredita ter encontrado respostas.
Para ampliar essa leitura, Maxsandro e Delci estabeleceram conexões com outras referências fundamentais da literatura, como “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, “Os Lusíadas”, de Camões, e “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Como conta Sandra, que é curadora da programação regional do 6.º Flitabira, “Drummond era um grande leitor, então tudo o que leu se encontra em seu ‘arcabouço'”. As aproximações ajudaram a situar “Claro Enigma” em um diálogo mais amplo com a tradição literária, explorando diferentes jornadas, perspectivas sobre a existência e formas de representar a experiência humana.
A riqueza do encontro também esteve relacionada à trajetória dos participantes. Pós-graduado em Língua Portuguesa, com ênfase em produção de texto, Maxsandro Ferreira Soares é professor e desenvolve trabalhos que aproximam educação, literatura e transformação social. Já Delci Cristina é mestra em Letras: Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), palestrante e professora, com mais de duas décadas de atuação na educação pública. Especializada em Língua Portuguesa, atualmente integra a Coordenação de Literatura da Secretaria Municipal de Educação de Itabira, onde também trabalha com formação de professores.
Como o que era esperado de uma conversa entre três professores, a atividade se transformou em uma verdadeira aula sobre Drummond, aproximando referências literárias, análise poética e reflexões filosóficas. Revisitar “Claro Enigma” e, sobretudo, “A Máquina do Mundo” relembra a intensidade de uma obra que, mesmo diante da passagem do tempo, continua provocando perguntas e convidando diferentes gerações a percorrer os caminhos, as dúvidas, os mistérios da experiência humana – e, em seus 75 anos de publicação, o tema do 6.º Flitabira.
Serviço
6.º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira
Tema: “A Máquina do Mundo em Nós – 75 anos de Claro Enigma”
Data: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026
Local: Teatro da FCCDA e entorno – Itabira (MG)
Programação: mesas literárias, palestras, encontros com escritores, lançamentos, Central de Autógrafos, Livraria do Flitabira, Flitabira da Gente, Flitabira nas Escolas, Prêmio de Redação e Desenho, exposição “Autorretratos de Drummond” e programação artística
Entrada: gratuita em todas as atividades
Acessibilidade: Libras e autodescrição
Transmissão: ao vivo pelo YouTube @flitabira
Patrocínio master: Vale, via Lei Rouanet – Ministério da Cultura
Apoio: Prefeitura de Itabira, Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e Itaú