
No segundo dia do festival, o Teatro da FCCDA recebeu histórias, música e uma conversa sobre o continente africano para o público infantojuvenil
O segundo dia do 6º Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira), realizado de 29 de outubro a 1º de novembro na cidade natal de Carlos Drummond de Andrade, começou cedo no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA). Às 8h desta sexta-feira (30), a plateia infantojuvenil acompanhou o “Jardim de Histórias e Brincadeiras”, com Rose Andrade, Quézia Juliana e o músico Carlos Alberto. Às 9h, a escritora Lavínia Rocha conduziu o encontro “O que você pensa quando falo África?”. A manhã seguiu com “E agora, Drummond? A poesia fora das páginas”, com Gabriel Confuso, Yang Pi e Karem.
A Vale apresenta a 6ª edição do Flitabira, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com o apoio da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e do Itaú. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, transmitidas online pelo YouTube e estão alinhadas com os princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) e da ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas). Os curadores desta edição são Sérgio Abranches e Calila das Mercês, ao lado do presidente do Festival, Afonso Borges.
Uma das histórias mais antigas da tradição oral em língua portuguesa abriu a manhã. No “Jardim de Histórias e Brincadeiras”, a Dona Carochinha saiu à procura de um noivo e foi recebendo, um a um, pretendentes como Seu Cachorro, Seu Porco, Seu Burro e Seu Rato, numa trama que também tinha Dona Baratinha entre os personagens. O conto é tão popular que virou expressão: “conto da carochinha”. No palco, ele ganhou vida com teatro, canções tocadas ao vivo pelo músico Carlos Alberto e recursos visuais, nas vozes de Rose Andrade e Quézia Juliana. Rose é atriz e mediadora de leitura, e Quézia é educadora com trabalho voltado ao teatro e aos livros para a infância. Diante de cada novo candidato, as crianças acompanhavam vidradas e contentes, à espera de saber quem a Carochinha escolheria.
Às 9h, foi a vez de Lavínia Rocha, professora de História reconhecida em 2022 pelo Prêmio Perestroika como a mais criativa do país na educação básica. Ela levou ao palco “O que você pensa quando falo África?”, título de um dos 19 livros que já publicou. A obra infantil nasceu de uma aula que viralizou: diante dessa pergunta, alunos do 5º ano responderam com estereótipos e, depois de conhecer melhor o continente, passaram a falar de reinos, povos e tradições. Em Itabira, a autora apresentou às crianças essa outra África com o mesmo entusiasmo que deu nome ao método criado por ela, a Pedagogia do Entusiasmo. Contou histórias como a da rainha do Reino de Kush que enfrentou o exército romano e saiu vitoriosa, da colonização e resistência dos povos, dos faraós, da tecnologia e agricultura, e dos reinos e impérios. Em vários momentos Rocha convida crianças ao palco, contribuindo para uma experiência imersiva e didática.
A poesia se demonstrou potente fora das páginas quando Gabriel Confuso, Karem Daynide e Yang Pi se reuniram às 11h em uma conversa com Carol Peixoto, curadora da programação local do 6.º Flitabira. Cada um com suas formas de expressão artística, os três chegaram a um território comum ao afirmar que a poesia não se restringe a um gênero literário, mas em cada uma de suas vertentes – no caso, as artes visuais, a dança e o slam, respectivamente. Independentemente de seu suporte, a arte também se manifesta de outras formas. A influência de Carlos Drummond de Andrade é outro ponto inegável, como conta Gabriel: “quem cresceu em Itabira vive a poesia bem fortemente, principalmente nas escolas. Eu conheci poesia bem antes da escola, quando minha avó declamava “Canção do Exílio” [poema de Gonçalves Dias]. Ter tido contato com a poesia desde criança reflete como inspiração pro meu trabalho, tanto visualmente, nos murais, mas também passando por questionamentos que Drummond traz em seus textos. O muralismo reflete a poesia que também pode ser encontrada em outras expressões culturais”.
Karem conta que começou sua trajetória na dança ainda muito jovem. Foi por meio de projetos sociais, que buscavam oferecer novas oportunidades a jovens de regiões periféricas, que deu seus primeiros passos na dança, inicialmente pelo improviso. Naquele espaço, encontrou uma possibilidade de descobrir quem era, construir sua identidade e, sobretudo, sentir-se pertencente. A partir daí, passou a expressar sua própria história por meio do movimento. Assim como acontece nos murais e nas letras de rap, a dança também é uma forma de expressão singular: cada corpo encontra sua maneira de comunicar, transformar vivências e produzir poesia. Yang Pi complementou com um poema improvisado à la slam, mas antes reforçou a importância do registro para quem trabalha com arte: “é preciso deixar marcas, preservar experiências e construir narrativas que possam atravessar gerações. Afinal, para a nossa geração e para as próximas, é preciso registrar histórias para garantir que elas continuem sendo contadas”.
A programação continua à tarde. No Teatro da FCCDA, o público infantojuvenil acompanha a apresentação musical “Quase uma bandinha”, às 14h, e “Memórias de um abacateiro”, com o Espaço Cultural LuarAzul, às 15h. Às 16h, Maxsandro Soares e Delci Cristina discutem “A desilusão na Máquina do Mundo”, com mediação de Sandra Duarte. No Coreto, a Cia Itabirana de Teatro apresenta a intervenção “Ah, se o Rio Tanque falasse…” às 16h30, e o Momento Poesia ocupa o espaço a partir das 17h.
Serviço
6.º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira
Tema: “A Máquina do Mundo em Nós – 75 anos de Claro Enigma”
Data: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026
Local: Teatro da FCCDA e entorno – Itabira (MG)
Programação: mesas literárias, palestras, encontros com escritores, lançamentos, Central de Autógrafos, Livraria do Flitabira, Flitabira da Gente, Flitabira nas Escolas, Prêmio de Redação e Desenho, exposição “Autorretratos de Drummond” e programação artística
Entrada: gratuita em todas as atividades
Acessibilidade: Libras e autodescrição
Transmissão: ao vivo pelo YouTube @flitabira
Patrocínio master: Vale, via Lei Rouanet – Ministério da Cultura
Apoio: Prefeitura de Itabira, Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e Itaú