
O 6º Festival Literário Internacional de Itabira, o Flitabira, realizado de 29 de outubro a 1º de novembro na cidade natal de Drummond, teve nesta quinta-feira (29) sua primeira tarde de programação, dividida entre o Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e o Coreto. No Teatro, o público infantojuvenil acompanhou “Memórias de um abacateiro”, do Espaço Cultural LuarAzul, e o encontro “O que você pensa quando falo África?”, com Lavínia Rocha. Depois, a mesa “Olha, repara, ausculta” reuniu Jeanyce e Marlon no mesmo palco. No Coreto, a poesia ocupou a tarde com a segunda sessão do sarau do projeto “Palavras que Transformam” e com o Momento Poesia, aberto à participação do público.
A Vale apresenta a 6ª edição do Flitabira, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com o apoio da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e do Itaú. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, transmitidas online pelo YouTube e estão alinhadas com os princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) e da ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas). Os curadores desta edição são Sérgio Abranches e Calila das Mercês, ao lado do presidente do Festival, Afonso Borges.
No Coreto, às 14h, a programação local recebeu a segunda sessão do sarau poético que celebrou o lançamento do livro de poemas do projeto “Palavras que Transformam”. Estudantes da rede municipal de Itabira, da Escola Municipal Nico Andrade e de escolas rurais do Carmo e de Ipoema, voltaram a se revezar na leitura dos versos da publicação. As crianças subiram ao palco contentes e transformaram a leitura em celebração. Às 17h, recebeu o Momento Poesia, intervenção que ocupa o espaço durante os quatro dias do festival. A proposta põe poetas itabiranos independentes diante da obra de Carlos Drummond de Andrade: eles leem e interpretam poemas do conterrâneo e, a partir deles, estabelecem diálogos com a própria produção, aproximando o poeta mais célebre da cidade de quem escreve em Itabira hoje.
Após uma manhã marcada pelas apresentações de “Jardim de Histórias e Brincadeiras” e “Quase uma bandinha”, as atividades voltadas para o público infantojuvenil continuaram às 14h com o espetáculo teatral “Memórias de um abacateiro”, encenado pelo grupo itabirano Espaço Cultural LuarAzul. Na sequência, às 15h, a escritora, professora e palestrante Lavínia Rocha conduziu o encontro “O que você pensa quando falo África?”, voltado para crianças e jovens a partir dos 8 anos.
A primeira atração do turno vespertino ficou por conta do Grupo LuarAzul. O coletivo, voltado às artes e à criação em Itabira, desenvolve projetos de teatro e yoga com foco no fortalecimento da cena cultural local e na aproximação de diferentes gerações. No 6.º Flitabira, o grupo apresentou a peça “Memórias de um abacateiro”. Logo em seguida, Lavínia Rocha, pós-graduada em Ensino de História pela UFMG e autora de 19 livros, subiu ao palco. Vencedora do prêmio Perestroika em 2022 como a professora mais criativa do país na educação básica, a autora fez uma “viagem” com os pequenos para o continente africano para falar sobre “O que você pensa quando eu falo África?”. A professora e escritora, conhecida nas redes sociais pelo seu jeito leve e lúdico de conduzir as aulas para os ensinantes do ensino básico, levou a sala de aula ao Flitabira para conversar com o público sobre a pluralidade do continente africano e de seus 54 países.
No teatro, a mesa das 16h tirou o nome de um verso de Drummond: “Olha, repara, ausculta” está em “A Máquina do Mundo”, poema de Claro Enigma, livro que completa 75 anos este ano. Com mediação de Camila Rocha, participaram Jeanyce Gabriela Araújo e Marlon Santos. Quilombola e neta de uma das matriarcas do Quilombo São Pedro, em Santa Maria de Itabira, Jeanyce é professora de Psicologia e autora de “Memórias Quilombolas” (2024). Marlon é artista e professor de Arte da rede municipal de Itabira. A conversa se voltou para um tempo em descompasso, imediatista e superficial e, nesse cenário, os saberes ancestrais apareceram como caminho de volta ao sagrado e ao que é essencial. Esses saberes, porém, enfrentam uma ameaça concreta. Jeanyce e Marlon chamaram atenção para o silenciamento de vozes e conhecimentos e para o desaparecimento de saberes ancestrais que deixam de ser transmitidos. Contra esse apagamento, defenderam a memória como forma de resistência e sustentaram que preservá-la exige garantias: leis que a protejam e acesso a esses saberes dentro das escolas.
E quem passar pelo Coreto durante o festival também vai encontrar teatro. A Cia Itabirana de Teatro apresenta “Ah, se o Rio Tanque falasse…”, intervenção teatral e musical que recorre aos causos mineiros para contar duas histórias conhecidas da região: a do casarão de mais de 50 janelas e a da oficina de panelas de pedra-sabão. Com atuação, música e tradição oral, o grupo leva para a cena a memória cultural e patrimonial de Itabira. As sessões acontecem nesta quinta-feira (29), às 19h30, na sexta-feira (30), às 16h30, e no sábado (31), às 14h30 e às 17h, sempre no Coreto e com entrada franca.
Serviço
6.º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira
Tema: “A Máquina do Mundo em Nós – 75 anos de Claro Enigma”
Data: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026
Local: Teatro da FCCDA e entorno – Itabira (MG)
Programação: mesas literárias, palestras, encontros com escritores, lançamentos, Central de Autógrafos, Livraria do Flitabira, Flitabira da Gente, Flitabira nas Escolas, Prêmio de Redação e Desenho, exposição “Autorretratos de Drummond” e programação artística
Entrada: gratuita em todas as atividades
Acessibilidade: Libras e autodescrição
Transmissão: ao vivo pelo YouTube @flitabira
Patrocínio master: Vale, via Lei Rouanet – Ministério da Cultura
Apoio: Prefeitura de Itabira, Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e Itaú