
Por Letícia Finamore
Em debate sobre os 75 anos do clássico de Carlos Drummond de Andrade, autores discutem a transição estética do poeta e declamam seus versos.
Mais uma vez ao longo do 6.º Flitabira, a poesia drummondiana ocupou o palco do Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade. A celebração dos 75 anos de publicação de “Claro Enigma”, lançado em 1951, marcou um dos grandes momentos desta edição do festival, revisitando a obra que representou um ponto de inflexão na trajetória do poeta. Hoje o tema da sexta edição do Festival, à época de seu lançamento, surpreendeu e desestabilizou a crítica literária brasileira pelas escolhas estéticas de Drummond e na densidade filosófica da obra.
A Vale apresenta a sexta edição do Flitabira, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com o apoio cultural da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e do Itaú. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis, transmitidas online pelo Youtube e estão alinhadas com os princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) e da ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas).
A mesa reuniu o poeta e acadêmico Geraldo Carneiro e o jornalista Pedro Bial, e contou com a mediação de Afonso Borges. Seguindo recomendações médicas, Bial participou virtualmente. A dinâmica entre os convidados equilibrou a análise literária e a experiência com a poesia, unindo a trajetória de Carneiro – que comemora 50 anos de carreira literária – à capacidade de articulação de Bial.
Composto por 41 poemas, distribuídos em seis partes, o livro percorre temas como amor, memória, infância, identidade e finitude. “Começando do começo”, Bial conta que a epígrafe do livro, “Les événements m’ennuient” (“os acontecimentos me entediam”), do escritor francês Paul Valéry, oferece uma lente para a leitura da obra. Dessa forma, é preciso se distanciar dos acontecimentos imediatos para poder fomentar reflexões mais “metafísicas” sobre a existência.
O diálogo destacou a mudança de orientação estética de Drummond na década de 1950, quando o poeta modernista se aproximou de formas clássicas e de um rigor formal mais evidente, mas sem abandonar as inquietações que atravessam sua produção. Pautando o tema da sexta edição do Flitabira, um dos pontos centrais da conversa foi o poema “A máquina do mundo”, que encerra o livro e retoma uma imagem da tradição literária para abordar a possibilidade de compreender a totalidade da existência.
Entre o desejo de conhecer o mundo e a dificuldade de encontrar respostas definitivas para os mistérios da condição humana, Drummond transformou o impasse em poesia. Neste encontro do Flitabira, a troca entre diferentes momentos e contextos históricos, entre gerações e perspectivas distintas, reforçou a capacidade da poesia de aproximar experiências e inquietações particulares a cada uma e que, diante de tamanha inquietação, tornam-se similares.
Os versos do poeta itabirano cresceram em suas dimensões nas declamações e leituras em voz alta: Pedro Bial declamou poemas emblemáticos, como “Legado” e “A máquina do mundo”, ressaltando a cadência e a gravidade da escrita drummondiana. O encontro também abriu espaço para a produção contemporânea do membro presente da Academia Brasileira de Letras: Geraldo Carneiro compartilhou as bases de seu novo livro, “Ensaio Sobre o Mar”, e declamou versos próprios e de seu colega.
Veja o encontro na íntegra no YouTube do Flitabira:
Serviço
6.º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira
Tema: “A Máquina do Mundo em Nós – 75 anos de Claro Enigma”
Data: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026
Local: Teatro da FCCDA e entorno – Itabira (MG)
Programação: mesas literárias, palestras, encontros com escritores, lançamentos, Central de Autógrafos, Livraria do Flitabira, Flitabira da Gente, Flitabira nas Escolas, Prêmio de Redação e Desenho, exposição “Autorretratos de Drummond” e programação artística
Entrada: gratuita em todas as atividades
Acessibilidade: Libras e autodescrição
Transmissão: ao vivo pelo YouTube @flitabira
Patrocínio master: Vale, via Lei Rouanet – Ministério da Cultura
Apoio: Prefeitura de Itabira, Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e Itaú